Adoro-te pelo que és Adoro-te pelo que me tornas Adoro-te pelo que sinto Adoro-te pelo que me fazes sentir
Este SENTIMENTO sereno, em paz, seguro, finalmente sem realizações, afaga-me, preenche-me, completa-me, faz-me feliz.
Ensinaste-me a sentir que é possível ser livre e ao mesmo tempo estar presa. Estou incondicionalmente presa a a ti, e sou totalmente livre de o estar, esta maravilha é talvez o tão anunciado AMOR.
Hoje sinto que te AMO. Amo-te sem a loucura da paixão, sem a irracionalidade do simples desejo, Amo-te sem saber porquê, simplesmente te AMO.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Hoje tive uma recaída... e que recaída... Tenho-me esforçado por colocar os ensinamentos da minha amiga em prática, passo maior parte das horas dos meus dias com a cabeça ocupada com tudo e mais alguma coisa , a angustia está lá, bem no fundo, presente mas sossegada. Hoje o raio de uma picada bem profunda assustou-me, quando se repetiu voltou tudo ao de cima, inclusive algo que nunca tinha sentido, ataque de pânico... Numa noite quente como a de hoje senti suores frios, um aperto no peito, dificuldade em respirar e impossibilidade de pensar em algo mais do que aquilo. Nunca mais chega o raio do dia... A incerteza é pior do que enfrenter a realidade...
domingo, 25 de julho de 2010
Felizmente a angústia não dura sempre. Fui cultivando laços com pessoas que me trazem à terra e me ajudam a encontrar caminhos, as tais a que chamo família. Recorri a uma dessas pessoas, alguém que, por já ter passado pelo mesmo, compreende o turbilhão em que a minha cabeça anda. Primeiro que tudo livrei-me do sentimento de culpa que carregava por me encontrar neste estado. No fundo sentia-me mal por não conseguir reagir, martirizava-me por me sentir em pânico e esse pânico me paralizar. Sabia que tinha que dar a volta mas ao olhar para a minha actual situação como um todo, não vislumbrava qualquer tipo de saida. Não via luz no fundo do tunél, apenas via um nevoeiro cerrado. Depois de falar, chorar, quase gritar o que me ia na alma, ensinou-me pequenos "truques" a que posso recorrer para não me sentir tão embrenhada nesta nevoeiro.
Primeiro: Olhar para cada problema como se fosse o único, ver a importância que ele tem, quais as ferramentas que disponho para o solucionar e atribuir-lhe um timing.
Segundo: Priorizar as coisas, fazer uma lista como se fosse às compras e o dinheiro fosse pouco. No topo da lista o fundamental, aquilo sem o qual não posso viver ou que influencia todos os outros e por ai em diante.
Terceiro: Planear o meu dia como se se tratasse de um plano de trabalho e segui-lo à risca, ter como disciplina fazer no mínimo 3 coisas a que me proponho todas as manhãs, não interessa a importância dessas coisas, pode passar apenas por colocar o lixo na rua ou obrigar-me a sair.
Quarto: Manter-me ocupada, quando a angústia vem, ocupar a mente, se estou em casa, ocupa-la com televisão, musica, leitura, jogos, se estou na rua contar árvores ou passos é um bom exercício. No fundo é fazer o que quer seja que me exija a atenção suficiente para que o meu pensamento não me deite abaixo.
Quinto: Se durante umas horas ou mesmo um dia não me apetecer fazer nada, tiver vontade de me fechar num canto às escuras e deitar cá para fora tudo o que me atormenta, permitir-me esse tempo sem sentimentos de culpa e sem a sensação que estou a falhar ou a decepcionar alguém.
Sexto: Canalizar toda a raiva que advém de sentir que não mereço pelo que estou a passar, a raiva que sinto por quem me tenta afundar e me cria ainda mais problemas do que os que já tenho e transforma-la em força para combater a vontade que tenho em ficar quieta no meu canto. No fundo é encher-me de orgulho e dizer para mim mesma: "Não vão conseguir derrotar-me".
Sétimo e ultimo: Recorrer a todas as pessoas que me são importantes. Não sentir que as estou a maçar e sim dar-lhes a oportunidade de me ajudarem nesta luta que estou a travar, pois muitas vezes os amigos não sabem como nos ajudar e ao recorrer a eles mostro-lhes como o podem fazer.
Neste momento acabei de planear o meu dia de amanhã, vou passar o dia a "comprar pão", "comprar pão" apenas depende de mim, é sinonimo de algo que é a minha prioridade máxima e sem a qual todos os outros problemas não poderão ser solucionados.
É essa angústia doentia a que sinto neste momento, tento usar mascaras de felicidade e de boa disposição quando estou ao pé dos que amo para não os preocupar mais, pois também eles, nada podem fazer. Mas quando me encontro na solidão de quatro paredes, o medo aliado à minha impotência dominam-me totalmente e levam-me ao desespero...
Dizem-me que tenho que pensar positivo, que tenho que encontrar forças dentro de mim para afastar as futuras possíveis realidades que me atormentam, mas não sei como o fazer, sinto o meu corpo exausto de remar contra a maré e os meus punhos dilacerados de tantos murros dar em pontas de faca. Estou coberta de chagas que sangram todos os dias...
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Nos últimos tempos tenho sido atingida por: Inúmeras rajadas de vento [Desilusões] Chuvas fortes [Lágrimas] e Granizo [Medos] No final da tempestade acredito, continuar viva e forte para, continuar os meus caminhos.
É assim que te quero, amor, assim, amor, é que eu gosto de ti, tal como te vestes e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, ágil como a água da fonte sobre as pedras puras, é assim que te quero, amada, Ao pão não peço que me ensine, mas antes que não me falte em cada dia que passa. Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai, apenas quero que a luz alumie, e também não peço à noite explicações, espero-a e envolve-me, e assim tu pão e luz e sombra és. Chegastes à minha vida com o que trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos. Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.
Porra!!! Até para alguém optimista por defeito como eu é difícil gerir tantos buracos no caminho, tantas pedras pontiagudas.
De há um tempo a esta parte, cada vez que resolvo um problema aparecem-me mais uns quantos, anseio por um período de bonança, por curto que seja. Sinto-me a viver no meio de uma tempestade, sinto necessidade de ter paz para usufruir do que de bom alcancei nos últimos tempos, mas todos os dias levo lambadas. Sinto que cada vez que me levanto uns milímetros do chão, vem uma foice e ceifa-me abrindo ainda mais o buraco e enterrando-me mais fundo. Mas eu não desisto, não vou baixar os braços, mais uma vez vou lutar, focar-me nos objectivos arregaçar as mangas e persegui-los teimosamente até os alcançar.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Hoje constatei um facto: O viver toda a vida aprisionada faz-me erguer grades à minha volta quando finalmente me deparei com a liberdade.
Não podia estar mais certa esta frase, alguns momentos de felicidade aparecem nas nossas vidas espontaneamente mas a maior parte dos momentos felizes são conquistados pela maneira de encarar as situações.
Considero que há pelo menos duas maneiras de gerir as situações menos boas que se deparam na minha vida: Como um problema ou como um desafio. Durante anos considerei como problemas, enchi-me de auto-piedade fechava-me em casa num canto, dificilmente encontrava uma solução satisfatória e e mesmo quando a encontrei associei essa etapa como algo de negativo na minha vida pois foi uma altura extremamente sofrida e dolorosa. Até que um dia resolvi agir de maneira diferente, inicialmente encarei como uma experiência, se de uma maneira não resultava decidi tentar outra. Em vez de me fechar comigo mesma, chorar, sofrer e não resolver optei por arregaçar as mangas e ir à luta, no final quando tudo passou experimentei a verdadeira felicidade, aquela que se sente quando depende exclusivamente de nós, o orgulho e o amor próprio que vivenciamos por ver recompensado o nosso esforço. Não quero com isto dizer que encontrei a formula mágica da felicidade, também travei batalhas em que sai derrotada, mas mais uma vez tem a ver com a forma de encarar as coisas, essas batalhas são para mim passos atrás que me ensinam a caminhar para a frente com mais vigor, são lições que aprendo.
Hoje, reflectindo sobre este assunto verifico que no fundo, quando me deparo com uma situação menos boa misturo as duas maneiras de a encarar. Inicialmente enclausuro-me dentro de mim mesma, desespero em busca de soluções, considero todas as hipóteses, pondero todas as minhas reacções e depois arregaço as mangas e vou à luta. Como boa teimosa que sou, não desisto dos meus objectivos, persigo-os até à exaustão, mesmo saindo derrotada, saio com a certeza que fiz tudo o que estava ao meu alcance pois só assim não considero como uma derrota pessoal e sim como uma lição a aprender, no fundo é um afinar de armas para a próxima batalha.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
"Apaixonamo-nos sem saber porquê porque a paixão quando chega não pergunta se queremos gostar desta ou daquela pessoa. Quando aceitamos ser conduzidos pelo coração só nos resta chegar até ao céu ou até ao abismo. Tudo depende dos outros pois nós uma vez entregues ao amor somos irremediavelmente seus prisioneiros."
Li este texto e apeteceu-me reflectir sobre ele. Realmente não encontro uma definição para as pessoas por quem me apaixono, não consigo racionalizar as minhas paixões, algumas tenho a certeza que são totalmente impossíveis por serem por pessoas incompatíveis com os meus valores e trato rapidamente de me afastar e não me deixar envolver. quando me apaixono por alguém com quem me identifico, com quem gosto de estar, que me fascina, ai deixo o meu coração comandar, solto-o das amarras que lhe imponho, entrego-me a essa paixão, atiro-me de cabeça e dou o melhor de mim a essa pessoa. Logicamente que embora sonhe como o céu tenho medo do abismo, principalmente porque já lá estive algumas vezes, mas nem esse medo me impede de recomeçar tudo de novo. Talvez porque não me limito a trancar dentro de mim mesma os amores que me magoaram, que me maltrataram, que me arrastaram para as profundezas da dor e do desespero, obrigo-me a analisar as situações, percebo o que fez com que a beleza do meu sentimento me tivesse levado a uma situação tão penosa, concluo que não era a pessoa certa, umas por desistirem à primeira contrariedade, outras por se mostrarem quem não são, outras ainda por não terem, ou não quererem ter, a capacidade de se dar, e ai sigo em frente e fico novamente a aguardar que a vida me surpreenda. Não trago ás costas situações mal resolvidas, liberto-me delas e quando me volto a apaixonar estou livre, sou livre, não avalio as pessoas baseada em outras, disponho-me a conhece-las de coração aberto e alma lavada, entrego-me da mesma maneira que me entreguei da primeira vez, só assim posso ter a certeza que não me vou arrepender se as coisas não derem certo. Coloco o meu coração nas mãos da outra pessoa e rezo para ter encontrado alguém que valorize o meu amor. No fundo rezo para encontrar quem se entregue de igual modo e um dia poder sentir a plenitude de viver um amor que cresce todos os dias.
sábado, 12 de junho de 2010
"Os sentimentos devem estar sempre em liberdade. Não se deve julgar o amor futuro pelo sofrimento passado."(Paulo Coelho)
Eu substituo a palavra "futuro" pela "presente"
Estou a esforçar-me para deixar para trás de uma vez por todas o que vivi e me fez mal, as atitudes de outra pessoa que me magoaram, que transporto comigo bem escondidas mas que me condicionam e não me deixam ver a vida com os meus olhos, nem manter os meus sentimentos livres. Vivo escudada, alerta, um pequeno sinal, uma atitude que não compreendo desencadeia logo um processo de auto-defesa e de elaboração de filmes mentais. Dou um salto para o passado e imagino desfechos idênticos, transporto para a pessoa com quem estou hoje as atitudes de quem deixei para trás. Certa vez escrevi algo parecido com isto:
"O facto de me ter mostrado quem não era, de me ter apresentado quem sabia que eu procurava e não passar de uma farsa, fez com que perdesse por completo a confiança futura em quem quer que se cruze no meu caminho, inclusive se me cruzar com quem procuro pois, já a vi, já a tive, mas não passou de uma grande mentira..."
Foi algo de que me esqueci. O facto de ter encontrado finalmente uma pessoa real, genuína e autentica fez-me deixar estes medos lá atrás, no momento exacto em que me apercebi deles e os escrevi. Hoje percebo que estes medos estão bem escondidos, lá bem no fundo da minha mente mas que me continuam a acompanhar. Condicionam a minha visão do hoje, distorcem a minha realidade e provocam-me reacções irracionais. Não me deixam questionar com medo de obter as mesmas respostas, não me deixam analisar racionalmente as acções da outra parte, apagam da minha memória aquilo que deveria ver e dar valor e enaltecem pequenos episódios que descontextualizados me deixam em pânico.
Agora que finalmente detenho esta informação, agora que finalmente consigo ver o puzzle completo e não me centro apenas em peças soltas , verifico que os meus medos são totalmente infundados, sem a mínima razão de ser. Tenho a meu lado uma mulher que me ama realmente pelo que sou, que se mostra sem mascaras nem subterfúgios, que não se condiciona para me agradar, com a qual não tenho que ter receio que o passado volte e me magoe e maltrate. Finalmente reúno as condições para matar de vez esse passado e encarar o presente e o futuro com o meu optimismo característico.
Há uns tempos escrevi este texto para mim, foi algo que me ajudou a analisar e a superar uma altura menos boa da minha vida, hoje em conversa com uma amiga achei que ela precisaria lê-lo, assim sendo, aqui fica para ti que sabes quem és, espero que te faça sentido e te ajude nesse caminho que és obrigada a percorrer.
Não sei se é o destino, o fado, o acaso ou outra coisa qualquer e nem me importa por aí além saber de onde vem ou o que justifica. Estamos sempre à procura de razões, nem sei bem para o quê... Para nos dar paz de espírito? Aliviar a consciência? Validar opções seguintes?
O que sei, hoje melhor do que ontem, é que os caminhos cruzados de vidas e as disponibilidades e entregas das pessoas são ensinamentos sempre que a verdade, o coração e a simplicidade dos gestos estão presentes. Pessoas que nos ajudam a pensar, pessoas que nos fazem questionar, pessoas que nos ajudam a ver que por seguirmos sempre um determinado caminho tal não significa que tenhamos de o prosseguir. A cada dia que passa num percurso que sabemos no íntimo, sem disfarce, ser uma mentira, é energia desperdiçada, tempo mal empregue porque inútil para nós mesmos e para o outro. Apenas nos priva de oportunidades ao lado, mais à frente... onde for. Simplesmente não vale a pena insistir quando a nossa intuição nos diz: não é por aí. Por mais que nos possa doer, por mais que gostássemos que fosse ao contrário. Insistir numa realidade que não é a nossa, num timing que não é o certo, é apenas adiar o que mais cedo ou mais tarde terá mesmo de acontecer. E a vida é curta e maravilhosa demais para a percorrermos pela metade.
Afinidade, Realidade e Comunicação: é por aqui!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Finalmente consegui dizer tudo o que sentia, abri completamente o meu coração, a minha cabeça, a minha alma, apresentei os meus medos, as minhas duvidas, as minhas ansiedades, conversamos, expusemos pontos de vista e chegámos a conclusões. Ao fim ao cabo foi tudo tão rápido, tão precipitado que ainda nos estamos a conhecer. Cheguei à conclusão que o que originou tudo isto foi o facto de vermos o mundo à nossa imagem, nem sempre as nossas acções são entendidas pela outra parte, nem sempre uma mensagem enviada por gestos chega intacta ao destinatário, foi bom conversar, foi bom entender, foi bom fazer-me entender, os meus fantasmas dissiparam-se como num golpe de magia. Raio de feitio o meu que teima em ver perigos em cada esquina, que me transmite insegurança quando não entendo os gestos, que me coloca num período de introspecção e me fecha dentro de mim mesma, que me faz sofrer em silencio em vez de me encorajar a demonstrar o que sinto. Por muito que eu não queira admitir, chego à conclusão que reajo baseada no que vivi com outras pessoas, as inseguranças que sinto são provocadas por atitudes que não são de todo da pessoa com quem estou presentemente. Deixo aqui registado que me vou obrigar a falar no momento, não vou acumular magoas, não vou fingir que não existem até tomarem proporções tais que não aguento mais suporta-las.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Hoje senti necessidade de meditar sobre as diversas relações e como eu as entendo, as giro e as aceito.
Cada pessoa é um mundo, cada um vive dentro de si e não se partilha na sua totalidade, aprendi com a vida a analisar as pessoas, a estar atenta às suas acções e reacções, a percebe-las, a entende-las ou simplesmente aceita-las, ajo assim com os amigos, com os conhecidos mas então porque é tão difícil aplicar esses ensinamentos numa relação amorosa?
Porque aceito que um amigo esteja de mau humor e me dê uma resposta inesperada, porque respeito que alguém que estimo me diga "hoje não me apetece" ou "hoje quero estar só" mas quando as mesmas respostas transitam para o campo afectivo me causam um sentimento de insegurança e quase como de ataque?
Provavelmente porque sempre assim foi, sempre vivi "em família" desenquadrada, sempre me senti atacada e com uma enorme necessidade de jogar à defesa, de me proteger, sempre me fechei no meu casulo e geri esses sentimentos de perca e quase de maus tratos emocionais sozinha, hoje faço um bicho de sete cabeças, realizo filmes e reajo a eles.
Sinto extrema necessidade de me sentir segura, a minha vida já deu voltas e mais voltas, preciso de estabilidade mas vejo perigos em tudo e em nada. Tenho mesmo que resolver os meus problemas de insegurança de uma vez por todas.
Se racionalmente eu tenho certezas porque é que elas desaparecem quando as tento gerir emocionalmente? Porque é que em momentos de crise interior nada é tido como certo, coloco tudo em duvida? Fragilizo-me , fico tal porco-espinho pronta a receber tudo como ataque e sofro calada pois no fundo sei que deverão ser apenas filmes por mim criados. Até esse sofrimento em silencio é uma infantilidade da minha parte pois se falar, se confrontar, automaticamente os meus medos se dissipam, então porque teimo em me calar, em me fechar e em me magoar? Faço e refaço planos de como dizer o que me vai na alma, escolho as palavras para não ser demasiado bruta e mostrar o meu ponto de vista, mas na altura abro a boca e não consigo emitir o mais pequeno som, sinto um nó na garganta, um aperto no peito , os olhos cheios de lágrimas e remeto-me ao silencio.
Tenho mesmo um problema de insegurança, preciso descobrir a sua origem, preciso fazer uma viagem interior ao passado e perceber onde tudo começou, aceita-lo é o primeiro passo, agora é não jogar às escondidas com a minha insegurança e encara-la de frente.
Se a vida fosse contínua e caminhasse em linha recta, garantidamente não poderia saber o gosto das encruzilhadas e o peso das decisões.
Se o meu coração não tivesse batido por ti, ainda hoje acharia que a porta do meu peito estaria trancada a sete chaves mantendo-me prisioneira do vazio das horas e dos dias.
Se conseguisse anular o desejo com que os meus olhos vendados percorrem a suavidade da tua pele, talvez hoje pudesse aceitar serenamente a falta do mesmo.
E se o teu "achamento" não tivesse sido fruto de um feliz acaso, fasquia alta de um brutal golpe de magia, talvez ainda hoje não conhecesse uma tão real definição para a palavra Amor.
domingo, 25 de abril de 2010
Uma semana passada finalmente estou em mim e acredito que foi e vai ser real. A pior fase já passou, a angustia da duvida, da incerteza, do quando será... O reencontro foi mágico, maravilhoso, indescritível. Ter-te finalmente nos meus braços, no meu regaço, voltar a olhar-te, voltarmos a rir juntos, a chorar juntos, partilharmos momentos que vão ficar gravados na nossa memória e nos nossos corações para todo o sempre. Agora nada mais se poderá intrometer entre nós, o que nos une é tão grande e tão verdadeiro que nada nem ninguém consegue destruir. Tive essa prova no momento em que 5 meses de mentiras se dissiparam, olhaste dentro dos meus olhos e tiveste a certeza de que não te minto nem te engano por muito dura que seja a verdade. Não te quero fazer promessas que não dependem de mim, apenas te garanto que lutarei com tudo o que tenho para voltares de vez para junto de mim. Anseio pelo momento em que não terei que voltar a ver os teus olhos cerrados de lágrimas quando me despeço de ti para voltar para casa, para a nossa casa.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Finalmente chgou o dia.
Faz hoje precisamente 5 meses que anseio pelo momento em que te volto a ter nos meus braços, em que te posso beijar e abraçar, em que posso sentir o teu coração, ver o teu sorriso, ver os teus olhos brilharem.
Faltam apenas umas horas, 5 horas e dois minutos para ser mais preciza, a ansiedade é muita, faço filmes possiveis na minha cabeça imaginando o nosso reencontro. Está quase meu amor, vamos ter dois dias para estarmos juntinhos.
domingo, 21 de março de 2010
Família, o que é a família? Durante anos acreditei que seriam as pessoas com quem podia contar incondicionalmente, acreditei ser o meu porto seguro, aceitei-a com os defeitos inerentes a cada ser humano, não julguei, não critiquei, amei-a simplesmente e dediquei-me a essas pessoas crendo que fazia parte de algo bonito.
Sempre pensei que a Família era um direito que todos temos , hoje percebo que não o é, entendo ser um privilégio que tem que ser merecido, e a minha família de sangue não o merece, exceptuando a única pessoa que faz parte de mim e pela qual era capaz de tudo sem hesitar.
Felizmente, cedo percebi que embora importante a minha família não me bastava, procurei fora dela pessoas que me entendiam, com as quais poderia ser eu mesma sem necessidade de medir as palavras, sem medos de julgamentos, pessoas que me fazem pensar, com quem me identifico e com as quais cresço todos os dias.
Hoje essas pessoas são a minha família, uma família que escolhi , onde encontro o tal porto seguro e tenho o privilégio de me dar realmente a quem merece a minha entrega. Hoje tenho uma MULHER com a qual partilho a minha vida , IRMÃOS com os quais posso dividir tudo, TIOS que me ouvem , preocupam-se e me aconselham, PRIMOS com quem brinco sem maldade e tenho aqueles familiares distantes que embora não falemos com frequência sabemos que podemos contar uns com os outros sempre. Hoje sinto-me realmente privilegiada por ter uma VERDADEIRA FAMÍLIA com a qual posso partilhar o meu FILHO e sei que o seu bem estar é defendido por todos eles de uma maneira única e linda .
Gosto do teu andar despreocupado, dos teus lábios certinhos com um gosto único, da profundidade dos teus olhos cor de mar, do teu cabelo que parecem fios de seda a deslizarem entre os meus dedos, do teu nariz de ponta fria, das tuas orelhas sensíveis, do teu grandioso metro e meio.
Gosto do teu jeito desembaraçado, da tua maneira de encarares a vida e as coisas comuns, da tua cabeça arejada, dos teus silêncios que me dão espaço para me ouvir, de me calar para te escutar, do teu sorriso aberto, do teu olhar mais secreto, das tuas piadas, das nossas cumplicidades, das brincadeiras, das conversas sérias, das gargalhadas.
Gosto das tuas mãos entre as minhas, da tua cabeça no meu peito a contar as batidas do meu coração, de te cheirar, de te sentir, de nos adivinharmos, de me deitar a teu lado e no dia seguinte acordar e ver que o sol continua a brilhar.
Gosto de te sentir colada a mim, do toque único da tua pele, de quando ela arde, de me sentir arder, de contigo ir ao céu dentro de quatro paredes, de sonhar, de sonharmos.
Gosto de sentir que estás sempre perto e sempre estarás, que vives dentro de mim, que me permites viver dentro de ti, que compras as minhas lutas, vibras com as minhas vitórias, amenizas as minhas derrotas, que te partilhas, que me partilhas.
Gosto de saber que mesmo longe estás perto, que rapidamente estarás aqui, por isso espero serena e feliz, e nos sentimentos que transformo em palavras vejo a cor, sinto o sabor e o aconchego deste AMOR, entrego-me e sinto crescerem-me asas, sinto-me flutuar, sinto-me a voar. Gosto-te como um todo, fazes-me sentir única e especial!
Finges ser espinhosa, mas no fundo, e nem sequer é bem lá no fundo, és simplesmente deslumbrante.
Confesso que durante muitos anos da minha vida vivi prisioneira de mim mesma. Embora mostrasse ao mundo uma pessoa forte, desinibida e bastante social, no fundo era precisamente o oposto, sentia a necessidade de mostrar o que não era pois não sabia lidar com as minhas fragilidades, umas alturas mostrava a pessoa que gostaria de ser, outras o que achava que esperavam de mim. Cometi muitos erros, vivi enormes enganos e no fim a única pessoa que enganei foi a mim… Numa altura em que me vi sem chão, em que não sabia quem era realmente percebi que a minha vida era só minha, só a mim cabia vive-la e que os caminhos que escolhesse me iriam levar a algo de bom ou mau consoante aquilo em que me baseava. A partir dessa data dediquei-me a procurar-me, a conhecer-me, a entender-me, basicamente esforcei-me para perceber porque agia sempre da mesma maneira quando me deparava com situações idênticas sem nunca me questionar se estaria a agir correcto nem tão pouco tentar avaliar a situação e aprender com ela, mais que não fosse aprender que aquela maneira de agir não me era benéfica e a tentar outra da próxima vez. Passei a fazer viagens dentro de mim, aos poucos fui-me apresentando à minha pessoa, despida de mascaras ou de manipulações, nem sempre o que via ou vejo é bonito aos meus olhos, nem sempre concordo com os argumentos que me habituei a usar para mim mesma para justificar as minhas acções. Quando me deparo com algo de que não gosto, trato de me manter focada, de manter presente no meu consciente e esforço-me para agir de maneira diferente quando me deparo com algo semelhante. É um exercício de tentativa erro, mas com o tempo vou falhando menos e vou-me aproximando mais da pessoa que quero ser. Há cerca de um ano a trás lidei com a maior de todas as minhas fragilidades, a maneira como me sentia realizada emocionalmente, hoje, um ano passado sinto-me perfeitamente segura em relação a esse medo que tantas vezes me atormentou, sinto-me livre e em paz comigo. Acho que chegou a hora de lidar com outra grande fragilidade com que tenho vivido. Insegurança. O medo de perder o que tenho bloqueia-me e impede-me de agir. Talvez porque as vezes que me esforcei para o fazer perdi sempre. Mas sei que para evoluir, para chegar ao que quero para mim, para me sentir bem comigo e com os outros preciso vencer esse medo.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
"A verdade é que o horizonte tem muitas curvas, isto é, longe vai o tempo em que o horizonte era uma linha recta por cima do oceano. Apesar de tudo, acho que hoje tenho uma nova atitude perante estas curvas e contra-curvas, hoje sei que devo utilizar estes desvios para aprender, para alcançar algo que até então nunca tinha almejado. Se assim o fizer tenho a certeza que, apesar de depois da curva existir uma dificuldade, irei superar-me e um dia verei o horizonte como uma linha recta novamente. Até lá a vida andará em curva e contra-curva, pois se o horizonte fosse sempre uma linha recta eu continuava onde estava há muitos anos atrás..."
Finalmente sinto-me como nova. Voltei a ter objectivos e estou cada vez mais determinada em alcança-los. Estou com forças para lutar por eles contra tudo e contra todos, está apenas nas minhas mãos. Tracei caminhos e não me vou desviar deles um milímetro que seja, o meu sucesso está ali diariamente, bem diante dos meus olhos, finalmente vejo maneira de realizar o que anseio para mim e para nós e não vai tardar voltaremos a ser uma família feliz.
Presentemente tenho quase todas as armas de que necessito para poder realizar os nossos sonhos a médio prazo. Tenho a meu lado uma mulher que amo de uma maneira com que nem nunca sonhei, sinto-me amada de igual modo, tenho amigos puros e verdadeiros com que conto independentemente da situação, tenho um emprego que me realiza e me permite sonhar com um futuro promissor. Para a minha felicidade ser total basta voltar a ter o meu filho do meu lado, mas com todas estas armas não será difícil reverter a presente situação e ai poder iniciar uma nova etapa da minha vida com a qual anseio há algum tempo.
Sinto que o sol voltou a brilhar para nós, provavelmente era necessário tudo pelo que temos passado para nos dar certezas. Alcancei a absoluta certeza de que não é uma mera contrariedade que deita por terra o AMOR que sentimos uma pela outra, também não tenho a menor duvida de que podemos contar com os nossos AMIGOS de igual modo com que eles contam connosco, até o afastamento a que fui obrigada provavelmente me deu as forças necessárias para lutar e subir a fasquia dos meus objectivos até ao meu limite máximo. Tenho todas as ferramentas para alcançar o sucesso... Obrigada a todos vocês que sabem quem são e que nunca me deixaram cair, acreditando muitas vezes mais do que eu na minha força, nas minhas capacidades e na minha determinação.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Realmente nada como uma boa noite de sono para ver as coisas com outros olhos. Uma luz ao fundo do túnel voltou a brilhar. Tudo estava mal, ao melhorar um aspecto deu-me animo para acreditar que todos os outros também se irão compor. Voltou o optimismo, embora controlado sinto-o de volta a espreitar timidamente, busquei forças, agarrei na mão que se estendia para me tirar do fosso onde me estava a afundar e ganhei coragem para lutar contra as adversidades presentes. Pela primeira vez senti verdadeiramente o poder que tem o facto de ser amada, a força que esse amor tem e me dá, não me deixou atolar na lama onde chapinhava, transmitiu-me força, injectou-me coragem, deu-me animo quando me sentia a perder tudo isto.
Sinto-me confiante, motivada, apoiada e com armas para chegar a bom porto, agora depende de mim batalhar para lá chegar e eu sei que sou capaz...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Não sei o que tenho, não sei o que sinto, não sei o que faz compulsivamente rolarem lágrimas pelo meu rosto. Refugio-me num banho para deixar de as sentir caírem no meu peito onde queria que estivesse a tua cabeça. Não penso, não quero pensar, queria conseguir esvaziar a minha cabeça mas nem o choro compulsivo me transporta para o vazio. As amarras que parecem envolver o meu peito estão cada vez mais apertadas, uma solidão imensa mesmo quando estou rodeada de pessoas bloqueia todos os meus sorrisos. Busco o silencio, o verdadeiro silencio mas os pensamentos não se calam, sinto-me a cair num abismo e tudo o que me rodeia não é suficiente para retardar essa queda. Não vislumbro soluções atempadas. Desanimo, falta de forças, falta de fé, falta de coragem. Luto para dar a volta mas é uma luta inglória. Sei que não posso dar-me a este luxo, sei que tenho onde me agarrar para não me deixar afundar, sei que tenho mãos estendidas para me salvarem desta lama onde me encontro, mas inexplicavelmente não as agarro e limito-me a deixar-me ir... Amanhã é outro dia, espero acordar com forças para me reerguer, ou então prefiro dormir até que essas forças voltem, pelo menos enquanto durmo a minha cabeça está vazia, em silencio...
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Dá-me um abraço que seja forte E me conforte a cada canto Não digas nada que o nada é tanto E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto Neste aperto tão pouco espaço Não quero mais nada, só o silêncio Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo Já me venci pelo cansaço E estando longe, estive tão perto Do teu abraço
Dá-me um abraço que me desperte E me aperte sem me apertar Que eu já estou perto abre os teus braços Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso Esse espaço que me sossega E quando possas dá-me outro abraço Só um não chega
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Hoje ao ler algo percebi que, ao contrário do que achava, há alguns aspectos em mim que necessito (re)ver. O primeiro de todos é a maneira como sinto as coisas, tenho realmente de aprender a sentir como um adulto, não posso esperar que os outros percebam o que não lhes mostro, tenho que deixar de esperar atitudes feitas à minha imagem e pelo facto de não as ter, sofrer como uma criança. Talvez o facto das minhas fundações terem desmoronado, talvez por estar a passar por um período em que todas as minhas certezas foram desacreditadas, sinto-me vazia, com a sensibilidade à flor da pele e com falta da racionalidade necessária para analisar as situações e tentar entende-las. Tudo me soa a ataque, tudo me atinge, tudo me magoa. A auto-piedade instalou-se e está difícil de me livrar dela...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Hoje simplesmente não quero. Não quero sentir, nem tão pouco pressentir. Não quero pensar, não quero reflectir. As certezas transformam-se em dúvidas O pequeno chão em enorme confusão Não sei o que espero, apenas sei o que quero E se o que quero é demais? É impossível? É utópico? E se estou condenada a esperar? Será esse o meu destino? Será essa a minha lição? Não esperar? Apenas Desfrutar? Mas como desfrutar do que não sei se me basta? Logo eu que sou tudo ou nada... Mas o nada é doloroso de mais... E o tudo não sei se alguma vez vou ter... Mas eu disse que hoje simplsmente não queria... E só por hoje não vou querer!!!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Hoje dediquei algum tempo a pensar nas voltas que a vida dá, nos obstáculos que o destino coloca. Inicialmente estava centrada nos últimos acontecimentos, mas aos poucos fui retrocedendo no tempo e avaliando os contratempos que fui tendo ao longo da minha vida. Verifiquei que todos eles me trouxeram algo, todos me modificaram, aquelas alturas em que me senti como me sinto agora, em baixo, desanimada, sem vontade, marcam mudanças, crescimento, tomadas de decisões. Verifiquei também que nunca me faltou tudo, durante os períodos de maior provação, sempre tive um porto seguro onde chegar ao fim de um dia de luta, pousar as armas e aninhar-me. Embora sinta que estou num caminho cheio de pedras pontiagudas e espinhos aguçados, sinto também que não o percorro sozinha, e que posso contar incondicionalmente com quem tem a coragem e a ousadia de me acompanhar neste caminho, ciente dos riscos. Talvez precisasse percorre-lo para poder de uma vez por todas separar o trigo do joio, encontrar quem se entrega como eu e cimentar relações para a vida. Talvez precisasse de me magoar, de me ferir de morte para me obrigar a tomar decisões para as quais não teria coragem se dependessem exclusivamente da minha vontade.
Dei por mim a pensar que os obstáculos são oportunidades que a vida nos dá para mudarmos, cabe-nos a nós manda-los para trás das costas fingindo que não existem ou aproveita-los como trampolim para nos superar-mos a nós próprios. De repente senti-me fortalecida, sinto-me com energia para arregaçar as mangas e ir à luta, a não desanimar com portas que se fecham, interpretar como sendo um caminho errado e em vez de ficar a lamber feridas simplesmente mudar a rota para alcançar os objectivos que tracei para mim. Encontrei coragem para mudar, não sei como, não sei onde, apenas sei que tenho que alterar o rumo, tenho que estar atenta, abrir os olhos em todas as direcções e crer que a vida se encarregará de me mostrar a janela aberta que até agora não consegui ver.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Sentados frente a frente, eu na minha cadeira, tu na tua, olhas-me fixamente, com esse olhar meigo e tão teu... Retribuo-te o olhar e peço-te desculpa. Desculpa por nem sempre te ter sabido compreender como merecias...
Hoje ao ver algo na televisão fez-se finalmente luz na minha cabeça. Uma luta interior em que sentia que devia alguma coisa ao meu pai há 11 anos, hoje percebi o quê, um pedido de desculpa.
Como já o disse algumas vezes, sempre me senti diferente dos restantes membros da minha família, nunca me senti integrada e igual a eles, assim como sempre percebi que o meu pai sentia igual, cada um à sua maneira sabíamos que não pertencíamos ali. Para mim sempre foi mais fácil ser defendida pela minha mãe, sabia-me bem que me passasse a mão na cabeça em vês de me obrigar a seguir as regras impostas pelo meu pai, hoje entendi que sempre fui manipulada por ela para ter os filhos do lado dela e assim tirar o poder ao meu pai. Durante mais ou menos um ano depois de o meu pai morrer, o meu principal sentimento foi de revolta, revolta contra os que o criticavam diariamente e que depois de ele morrer fizeram dele um santo, entendi que estavam a lidar com os seus sentimentos de culpa, mas na altura revoltou-me. Hoje percebi que devo um grande pedido de desculpa ao meu pai por tantas vezes ter aceite as manipulações da minha mãe, e também eu ter ficado contra ele.
Desculpa-me pai, desculpa-me não ter entendido que, à tua maneira, estavas a tentar fazer de mim uma pessoa com valores sólidos e justos, que querias que as minhas acções reflectissem a minha maneira de pensar e que não me permitisse agir da maneira que me dava mais jeito, desculpa-me ter tantas vezes ficado contra ti. Hoje que sou adulta e mãe compreendo-te, compreendo que havendo regras é tão mais fácil crescer, havendo limites não há necessidade da revolta diária que tantas vezes experimentei por me sentir incompreendida. Espero sinceramente que o meu filho opte pela educação com regras e limites em vez da (des)educação em que tudo é permitido desde-que não levante ondas.
Desculpa principalmente por também eu ter feito de ti o mau e da minha mãe a boa, que lutava por mim, quando foi precisamente o contrário, desculpa por na altura não ter entendido e não te ter defendido como devia, pois acho que os dois juntos teríamos arranjado espaço para podermos ser quem somos e não sermos obrigados a se-lo apenas dentro de nós mesmos.
Ao perceber esta minha necessidade do teu perdão, ao conseguir ligar as pontas soltas e ver a minha infância e juventude como um todo e não apenas fragmentos, sinto como que se um peso grande que carregava nos ombros se tivesse finalmente dissipado, dando-me novas ferramentas que tenho que aprender a maneja-las com arte para solidificar a minha relação com o meu filho e torna-la em algo mais proveitoso para os dois.
Adaptado por mim da "Historia do Lesbianismo" by Judy Grahn
Quando vieram ao mundo as Mulheres que amam Mulheres vieram três a três e quatro a quatro as Mulheres que amam Mulheres vieram dez a dez e mais vieram a seguir até que eram tantas que era impossível contar
Elas cuidaram umas das outras da melhor maneira que conheciam e dos filhos umas das outras se os tivessem
Ao viverem neste mundo as Mulheres que amam Mulheres aprenderam tudo o que lhes foi permitido e andavam e usavam as suas roupas da maneira que elas se sentiam bem sempre que podiam. Faziam o que queriam sabiam o que era ser feliz e livre e trabalharam, e trabalharam, e trabalharam. As Mulheres que amam Mulheres em Portugal foram chamadas de fufas e algumas gostaram outras nem por isso.
Elas faziam amor umas com as outras da melhor maneira que sabiam e pelas melhores razões
Como elas saíram do mundo as Mulheres que amam Mulheres saíram uma por uma tendo resistido umas mais outras menos a perseguições e a muito ódio por parte de outras pessoas por parte de outras mulheres elas saíram uma por uma cada uma tentando à sua maneira derrubar as regras do homem sobre a mulher, elas tentaram uma por uma e cem por cem até que cada uma à sua maneira chegou ao fim da sua vida e morreu.
O tema do lesbianismo É muito comum, é a questão Da dominação masculina que incute em toda a gente a raiva.
Hoje é um dia em que senti necessidade de homenagear essas mulheres, pioneiras da nossa luta, que se sacrificaram, foram mal tratadas, discriminadas, humilhadas, odiadas de uma maneira que não me é possível sequer imaginar. Essas primeiras "Mulheres que amam Mulheres" que tiveram a coragem de sair de dentro dos seus "armários" e mostrarem esse Amor sem vergonha e sim com orgulho, se estivessem vivas hoje veriam que a sua luta não foi em vão, hoje finalmente somos aceites legalmente como qualquer outro cidadão. É uma vitoria delas, de todas nós mas principalmente delas por terem tido a coragem...
CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP
Estas palmas são vossas... onde quer que estejam...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O dia aproxima-se, com ele os medos e ansiedades, mas não me vou entregar a eles, vou arrancar forças na esperança, a saudade faz-me levantar todos os dias com motivação para dar a volta por cima.
Não me permito pensar nas possíveis realidades que não me trarão a conquista dos meus direitos neste assunto, esta batalha só findará com a minha vitória, com a nossa vitória. Recuso-me a baixar os braços, a entregar os pontos. Nada na minha vida foi fácil, nada me foi entregue de mão beijada, conquistei a pulso tudo o que sou hoje e é apenas mais uma batalha. Tenho comigo uma Mulher que luta a meu lado, que me põe os pés no chão quando tenho tendência para divagar, e que me levanta quando me sinto a afundar e juntas conseguiremos a nossa família unida e feliz.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
37, há 37 anos atrás nasci para o Mundo. Desde a magia dos aniversários da minha infância em que as prendas e o ficar mais velha eram o mais importante, que não me lembro de ter tido um dia de anos feliz, cheio de alegria. Talvez que por ser um dia importante para mim esperasse que as pessoas que me eram queridas o interpretassem e o sentissem de igual modo, talvez por esperar delas aquilo que sempre dei, ou talvez apenas por ser existente demais, não sei.... Sei que este ano, embora diferente, não é excepção. Diferente porque já não espero nada das pessoas que inutilmente esperei a vida toda, diferente também porque o que me falta não é carinho nem atenção, diferente porque pela primeira vez me falta parte de mim, diferente porque não tenho vontade de o celebrar, mas igual na falta de felicidade e de alegria, talvez por estar mais vulnerável, por não ter a meu lado uma parte de mim, por numa altura em que queria estar perto estou longe, por saber que não vou receber aquele abraço e aquele beijo que anseio há quase dois meses, estou mais sensível... E mais uma vez me vejo a pensar que pode ser que para o próximo ano finalmente volte a sentir a alegria e a felicidade que me relembrem os mágicos aniversários de infância.
Δημήτηρ do Grego Deméter ou Demetra quer dizer Deusa Mãe
Quando Hades raptou Perséfone (sua filha) e a levou para seu reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca Terra afora sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida e proferiu estas palavras: "Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores!"
Fazendo uma analogia entre o solo e as pessoas, também eu sinto essa ingratidão pois precisamente quem eu tornei fértil, a quem me dei sem pedir em troca, quem eu ajudei a crescer, quem levantei inúmeras vezes do chão, hoje arranca dos meus braços o meu filho. Sinto-me, tal como Δημήτηρ, desesperada, também eu tenho vontade de sair como louca terra afora, tenho uma dor insuportável dentro do meu peito que me tira a vontade de tudo. Previa que seria muito doloroso, mas nem nos meus mais obscuros pesadelos senti tamanha dor e angustia. O tempo não ajuda, pelo contrário, aprofunda, corrói, retorce. Não sei o que fazer mais, a espera é angustiantemente insuportável, afasto do meu consciente as lembranças, os locais, os projectos pois não consigo gerir os sentimentos que provocam. Só me resta deixar correr o rio salgado que brota do alambique onde são destiladas a dor, o sofrimento, a falta, a distância... Diariamente oiço as várias vozes que ocupam um lugar muito especial dentro do meu peito dizerem-me que no fim espera-me um HAPPY END, quero acreditar nelas, são elas que me mantêm de pé, que mantêm a minha sanidade mental no limite do aceitável. Agradeço todos os dias essas vozes existirem e cada uma delas pertencer a uma pessoa linda, que dão sem querer troca, que se privam sem se sentirem obrigadas, que me amam de diversas maneiras, que são socias da minha dor dividindo-a comigo e tentando ameniza-la. São uma familia muito maior do que alguma vez supus existir, não em numero mas em grandeza de sentimentos e valores. Juntos conseguiremos o que eu sozinha não sou capaz e ficarvos-ei grata para todo o sempre, para vocês que sabem quem são o meu sincero obrigada...
Desculpa lá ó Pai Natal, mas como os aninhos já são alguns e como boa descendente de Alentejanos que sou, eu escrevo antes ao Menino Jesus, pois quando ainda acreditava no Natal como algo de belo e puro, o Pai Natal não existia no meu ingénuo imaginário de criança.
Assim sendo, cá vai...
Querido Menino Jesus, Este ano não tenho a mínima vontade de fazer árvore, enfeitar a casa ou montar o presépio, desculpa mas o espírito natalício ainda não me inundou, e se vier a inundar será praticamente na véspera da comemoração do teu nascimento. Não te venho pedir prendas pois acho que as recebi durante todo o ano, está a fazer um ano que me deste a melhor prenda, a que eu procurava acho que desde que me lembro de ser gente, a minha aceitação, o sentir-me pela primeira vez bem comigo própria. Durante o decorrer deste ano deste-me uma mão cheia de verdadeiros amigos, uma Família onde me sinto bem, me sinto aceite e em Paz. Deste-me um Irmão e uma Irmã, daqueles IRMÃOS VERDADEIROS, daqueles que aceitam independentemente de concordarem, que em vez de julgarem aconselham, que em vez de acenarem com a cabeça e condenarem com o coração fazem o contrário, dão-me na cabeça e têm-me no coração. Deste-me esta família linda, onde me sinto integrada, onde venho buscar apoio quando não tenho forças para me suster em pé sozinha, onde partilho as minhas alegrias e vitórias, onde divido os meus medos e receios, em suma, uma VERDADEIRA FAMÍLIA constituída por grandes amigos, alguns ainda virtuais mas que espero que o deixem de ser rapidamente. Deste-me também o meu auto-conhecimento, ajudaste-me a reforçar os meus princípios, colocaste os caminhos que tinha que percorrer bem diante dos meus pés, pegaste-me na mão e percorreste-os comigo, trazendo-me onde estou Hoje, de bem comigo, de bem com os outros, a conhecer-me mais um bocadinho, mas principalmente a valorizar-me. Por ultimo, mas não menos importante, deste-me uma companheira, não mais uma mas sim AQUELA, aquela pessoa com quem quero partilhar a minha vida, com quem quero percorrer todos os novos caminhos que tens guardados para mim, com quem quero envelhecer e nos braços de quem quero acabar os meus dias. Como vês, deste-me muito durante todo o ano, para terminar o ano em beleza, para que o recorde como o melhor ano da minha vida só falta uma prenda, e mesmo essa terá que me ser dada um dia mais cedo, peço-te que me devolvas o meu TESOURO dia 23 de Dezembro e ai volto a ser a criança ingénua que acredita na verdadeira magia do Natal...
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Ao ler um blog de que sou assídua, li algo sobre fechar ciclos e dei por mim a pensar que há maneiras e maneiras de o fazer, já experimentei algumas.
Já fiquei lá, no exacto momento em que as coisas aconteceram, dei voltas e voltas à cabeça a tentar achar uma solução para voltar atrás, para reverter os acontecimentos que não tinham como desaparecer e inevitavelmente sai derrotada dessa luta. Já tentei esquecer, fingir que não aconteceu, e a vida fez questão de me mostrar que tudo acontece com um propósito, que aquilo que não quis viver na altura, fosse com medo de sofrer ou com medo de olhar para dentro de mim e ver o que estava mal ou que eu não queria "digerir", aconteceu por uma razão e mais tarde tive que aprender a lidar com a situação, normalmente de uma maneira bem mais penosa pois deixei passar o "timing". Também já vivi de recordações, recusando-me a deixar um "amor" partir, alimentando-me dos bons momentos, enaltecendo-os e guardando dentro de uma caixa bem fechada os episódios que me magoaram, transformando uma pessoa com defeitos e qualidades num protagonista de contos de fadas, também ai sai derrotada pois, quando vi que estava parada no tempo, quando quis caminhar e os meus pés se recusavam a obedecer, tive que gerir a situação, tive que abrir a caixa e sofrer com o que não me tinha permitido ver, ou que tinha visto e quis não ver. Também eu já tentei compreender os motivos por que determinada pessoa agiu de uma maneira totalmente diferente da que eu estava à espera, tentei perceber porque foram mal julgados os meus actos, porque lhes atribuem valores que não são nem nunca foram os meus, tentei acreditar que quem me conhece sabe quais as razões que me movem e que tentariam colocar-se no meu lugar e entender os meus motivos, tal como eu faço com os outros. Cheguei à conclusão que assim não é, fiquei à espera de ser compreendida, do reconhecimento de quanto me dei, do que me privei, as vezes que relevei situações, que reconhecessem o meu esforço, que entendessem o meu amor, e mais uma vez fiquei parada e apenas serviu para me ferir e magoar.
Hoje vivo o presente, tento resolver as questões agora, paro muitas vezes para "digerir" os acontecimentos e não deixo acumular muito pó debaixo do meu tapete emocional. Mostro as minhas emoções sem medos ou receios, se são entendidas tanto melhor pois há sempre volta a dar quando as duas partes estão empenhadas em que uma relação (seja de que natureza for) floresça e dê frutos, se vejo que só eu me empenho, recuso-me a remar contra a maré, corto, limpo a sujidade e sigo em frente, sem magoas nem rancores, a vida tratará de dar as lições devidas a quem de direito, tal como as dá a mim. Trato-me, lambo feridas, curo-me e sigo em frente ciente de que não foram as minhas acções que provocaram o afastamento e que dei tudo de mim para que as situações se resolvessem. Não quero com isto dizer que encontrei a formula mágica, que não vou voltar a cair nos mesmos erros ou que vou deixar de me magoar com as atitudes dos outros, mas neste momento encaro as coisas assim: Fecho o ciclo, não por orgulho ou incapacidade, mas sim porque as pessoas ou as situações já não se encaixam na minha vida, recuso-me a parar, a estagnar pois a minha vida é só minha e só a mim me cabe vive-la, e escolhi para a viver a constante aprendizagem e crescimento, assim sendo, não carrego atrás de mim rancores, ódios ou incompreensões, Fecho ciclos e aprendo com eles, só isso...
"Eu nada espero dos outros, logo suas acções não se podem opor aos meus desejos " (Swami Sri Yukteswar)
domingo, 6 de dezembro de 2009
Acabei de ler este texto e identifiquei-me tanto que resolvi coloca-lo aqui para que nunca me esqueça dele: "Aquilo que existe em mim e faz parte de mim pode ser transformado... se eu quiser... Aquilo que é do outro, só pode ser transformado por ele, e será compreendido e aceite por mim... dentro dos meus limites... se existir respeito... Posso falar ao outro como me sinto em relação ao que ele faz ou diz... se houver liberdade... Não posso afirmar: "Aquilo que o outro fez ou disse feriu-me..." Eu é que me feri com AQUILO que ele fez ou disse... tenho opções. Eu sou dona das minhas emoções sensações e sentimentos, também das minhas atitudes, pensamentos e palavras! Que maravilha... Não é coerente dizer que fiz algo para alguém... só porque alguém fez isso comigo primeiro... Se eu agisse assim... eu seria apenas resposta e eco... sem vida... É mais valioso optar por agir em vez de apenas reagir... É mais sensato perceber que sou dono das minhas acções... e se faço algo... sou o responsável por isso... tenho escolhas... Reconheço que as rédeas do meu destino estão nas minhas mãos e recuso-me a segurar as rédeas do destino do outro... é meu direito... Busco o AMOR na sua mais bela expressão... e por isso abro mão de querer ter o controle sobre a vida do outro... Amém... Quero amar com liberdade! Quero amar com plenitude! Quero amar antes de tudo... porque é bom... AMAR com RESPEITO e LIBERDADE !" (Kali Mascarenhas)
Sem duvida que apenas eu posso mudar-me, e só a mim posso mudar, o espaço que eu permito que as atitudes dos outros ocupem na minha cabeça só a mim o devo, tenho sempre várias opções, posso aceitar o outro como é, com defeitos e qualidades como qualquer outra pessoa, posso dizer o que senti com tal atitude, mas também posso simplesmente afastar-me se essa atitude foi baseada em falta de carácter, desonestidade, deslealdade ou mentira. Já me anulei algumas vezes para ter ao pé de mim pessoas que eu achava que me faziam falta, hoje percebo que apenas permiti que essas pessoas agissem de tal maneira que eu me sentisse impelida a afastar-me definitivamente por estar profundamente magoada. Também sei que a minha baixa auto-estima na altura permitiu que eu me anulasse. Hoje não o faço por ninguém, tal como diz o texto, procuro amores na sua mais bela expressão, amores que respeitam, que aceitam, que não calam e onde há liberdade para se dizer o que se sente sem ferir ou magoar. Assim são as minha relações, não me escondo, não me anulo, mostro-me tal e qual como sou, se as pessoas continuam ao pé de mim, se continuam a partilhar-se e a partilhar-me é porque quem sou é importante para elas, se não é podem afastar-se pois não me fazem falta. Cheguei a um patamar na minha vida que apenas me quero rodear de quem me faz sentido, de quem sei com o que conto, de quem é belo por dentro, de quem é cristalino e autêntico, não perco tempo com pessoas "pequeninas" que se mascaram no intuito de obterem mais valias, pessoas mesquinhas, sem carácter, sem valores, sem escrúpulos. Felizmente que não sou a única a procurar estes valores tão raros nos dias que correm, já cheguei a pensar que era impossível encontrar alguém que me compreendesse e me aceitasse, hoje tenho poucos mas bons amigos, tenho a meu lado uma pessoa que admiro e respeito e quero acreditar que os meus valores vão transparecer, sem aparentarem soberba ou egocentrismo, numa situação que se avizinha e que finalmente vou poder descansar e ser feliz na máxima plenitude.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pela primeira vez, desde há algum tempo que não consigo, ou não quero conseguir, perceber o que sinto. Dou por mim a criar ruído à minha volta para não ter que pensar. Luto para não entrar dentro de mim, para não sentir a solidão da minha dor, para não ver a minha impotência, para não aceitar que o destino do meu bem estar e da minha felicidade está entregue a terceiros e que nada mais me resta do que esperar, entregar, sofrer calada e sufocar o uivo de angustia que teima em sair da minha garganta. Engulo as lágrimas, esboço sorrisos, mascaro palavras, fujo do tornado de pensamentos e de possíveis realidades futuras que assolam o meu pensamento e ferem o meu coração. Quero crer que tudo isto tem um sentido, que estou a ser posta à prova, que no final está à minha espera um pote de ouro, mas se assim é, porque não acredito nas palavras de esperança que oiço diariamente? Porque não me tranquilizam os abraços de quem luta a meu lado? Porque vivo em sobressalto e um simples SMS faz disparar o meu coração com medo do que lá estará escrito?
Onde anda o meu optimismo que sempre me permitiu olhar para os caminhos tortuosos e ver lá uma flor ou um aroma que me mostrava que em tudo se pode ver o belo, basta ter os olhos abertos e a alma desperta para o ver? Tudo o que sou, ou que pensava ser, está a ser posto à prova, e tenho medo de não ter forças para ser tudo ao mesmo tempo, sinto o chão degradar-se debaixo dos meus pés, atiro cordas para todos os pontos de apoio que vejo, mas serão estes suficientes para me segurarem? Sinto um medo solitário e pessimista, sinto-me ao contrário do que sou ou que achava que era... Mas uma coisa eu sei, nenhuma dor será tão insuportável ao ponto de me fazer desistir...
domingo, 22 de novembro de 2009
"Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio; Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca; Porque metade de mim é o que eu grito, Mas a outra metade é silêncio... (...)" (Oswaldo Montenegro)
Ao ler estes versos do poema de Oswaldo Nascimento vi em tão poucas linhas a definição perfeita de como me sinto neste momento. Luto comigo mesma para que o medo não me paralise, não cale o meu cérebro pois o que anseio depende muito da maneira como eu conduzir as coisas, não posso dar-me ao luxo de me entregar por um minuto que seja aos meus medos, quando eles chegam em silencio trato logo dos afastar, neste momento não estou em condições de os aceitar e muito menos de viver com eles. Por outro lado perdi o que para mim era, bem ou mal, um porto seguro, aquele que conheci desde sempre e obrigo-me a não ver o mundo baseado nessa perda, recuso-me a tomar a falsidade como bitola a aplicar a quem se cruze no meu caminho, mas em silencio são ideias que me passam pela cabeça (...)Porque metade de mim é o que grito, mas a outra metade é silencio... (...).
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Espera... Uma espera que me corroí por dentro quando a encaro emocionalmente e que me dá esperanças quando a encaro racionalmente. Espera auto-infligida como alguém me disse à uns dias, sim eu podia deixar de esperar mas até que ponto iria ser benéfico a longo prazo? Até que ponto uma atitude irreflectida poderia deitar tudo a perder? Uma coisa eu sei, fiz o melhor que podia e que sabia, hoje mais que nunca me revolta terem posto a minha dedicação como mãe em causa para proveito próprio, para justificarem atitudes injustificáveis, como não gosto usar a palavra "nunca" pois os caminhos da vida às vezes pregam-nos peripécias vou colocar assim: Pela primeira vez sinto que dificilmente conseguirei perdoar ou esquecer tais actos, foram uma marca feita a ferro em brasa no meu coração. Só quem não sabe o que é amar, só quem não sabe o que é o amor que uma mãe sente por um filho e que um filho sente por uma mãe se arrisca a pô-lo em causa de uma maneira tão grotesca e tão vil. Quero crer que a vida lhes vai mostrar a dor que provocaram, a mágoa insuportável que infligiram de ânimo leve, a chaga que só sentindo se poderá dar o real valor, não será pelas minhas mãos certamente, dessas pessoas apenas quero distância...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
QUANDO SERÁ ASSIM?
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sinto-me assim, amarrada de pés e mãos, arrancaram-me as entranhas, desventraram-me, levaram-me mas esqueceram-se de mim aqui, fui contigo. Estou contigo a cada segundo, o meu pensamento, o meu coração está em ti, não temas, nada temas, eu não vou descansar, moverei o universo se necessário for para te ter a meu lado, para ficarmos juntos. só eu sei a dor que é ter que ficar quieta, calcular milimetricamente todas hipóteses, medir todos os passos, não poder ter um acesso de loucura e fazer o que tenho vontade, mas tenho que aguardar, ficar quieta e aguardar. No fim esta dor vai ser superada pela alegria de ficarmos juntos definitivamente. Tu próprio disseste que há coisas que parecem más mas que depois se transformam em boas, hoje estás sozinho na ilha, mas ela está a começar a pegar fogo e rapidamente vai passar um barco que ao ver o fumo te vai trazer de volta a casa, à tua casa, à nossa casa.
alguém disse que "Para estar perto não precisa estar do lado, basta estar dentro" e tu estás dentro de mim assim como eu estou dentro de ti e a distância só vai tornar o cordão umbilical que nos une mais forte que titaneo. AMO-TE MUITO MEU AMOR
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Recebi o meu primeiro selo da Ana J. M. Luz, a regra é postar um texto ou poema sobre a amizade, pois cá vai um dos textos que reflecte bem como eu vejo os meus amigos:
"Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria. Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."
De: Oscar Wilde
E agora aqui vai a minha pequena mas sentida lista a quem tenho a honra de oferecer o selo da minha amizade:
Quem me dizia a mim há apenas onze meses atrás que hoje estaria onde estou. Pela primeira vez senti que seria verdadeiramente "Ano Novo Vida Nova", dediquei-me a conhecer-me nesta nova fase da minha vida em que tudo era novo. quando me senti segura de mim dei-me a conhecer e no momento certo dois caminhos se cruzaram, estávamos ambas no mesmo ponto, como ela mesma disse aqui "Apesar de os pontos de partida e os caminhos serem distintos, partilho contigo a tua conclusão!".
Rapidamente percebi que tinha encontrado alguém com quem era possível ter algo muito bom e intenso, visto que o que sentia era tão bom, tão preenchente, tão intenso e através de palavras, gestos, atitudes verificava a cada dia que do outro lado o sentimento era reciproco. Para alem do sentimento que nos unia, também havia sintonia na maneira de pensar, de encarar a vida, nos valores básicos e fundamentais.
O que sentíamos foi crescendo, ganhando alicerces, sonhos partilhados, objectivos traçados e passámos a lutar a duas para os concretizar. Embora com um empurrãozinho de quem não fazia a menor ideia que ao tentar magoar-me estava a abrir-me o caminho para que esses sonhos e objectivos se precipitassem, hoje vivo feliz, partilho tudo diariamente com a mulher que Amo e que escolhi para ser A MINHA MULHER. Hoje partilho-me totalmente pois só vivendo dia-a-dia é possível dar-nos a conhecer por inteiro.
Obviamente não espero que seja tudo um mar de rosas, mas tenho plena certeza que ambas estamos empenhadas em que dê certo e com honestidade, diálogo perseverança, mas principalmente com o grande amor que existe entre nós, não tenho a menor sombra de duvida que vamos viver felizes e em União de almas e Corações.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
nada me impedirá de lutar pelo que sinto, pelo que acho correcto, pelo meu bem mais precioso. Nem o medo, nem a incerteza, nem o desconhecido. Nada me fará desistir, lutarei com todas as armas, deitarei para trás das costas o desespero que me atormenta pontualmente, se preciso for enfrentarei as trevas, os espinhos, as pedras pontiagudas onde caminho descalça, moverei céus e Terra mas nesta batalha só deporei as armas quando o meu coração parar de bater. Sei que tenho bravos guerreiros do meu lado, que lutam a par, com a mesma convicção e perseverança, alguns agora mais perto, outros agora mais distantes mas sei que todos são meus irmãos de armas e de coração para toda a vida. Fiz pinturas de guerra, fui obrigada a encetar uma batalha pela qual dou a minha vida se necessário for. Vou lutar na certeza de vencer, mas para isso não posso descurar detalhes, por mais ínfimos que possam parecer, tenho que prever o próximo passo para estar preparada para dar a devida resposta.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Numa conversa cibenauta, dei por mim a pensar que as pessoas passam na minha vida e maior parte delas nem imaginam a importância que têm/tiveram, outras acham que têm mais importância do que a real. Algumas apenas numas horas ou em poucos dias foram de uma importância extrema e ajudaram-me inclusive a definir que caminho tomar quando me encontrava numa encruzilhada. Outras mostraram-me o que não quero para mim, ou apenas abriram horizontes com algumas palavras, para elas banais. Ao falar com algumas sobre os problemas delas, encontrei solução para os meus. Com todas aprendo, com todas vejo ou revejo, com todas cresço... Todas contribuíram para estar onde estou hoje, para definir os meus valores e as minhas regras. Há também aquelas pessoas que perduram anos, vidas e quando vão deixam um bocado delas e levam um bocado meu, outras que se mantêm e espero que para sempre pois já fazem parte de mim. Chego à conclusão de que preciso de tod@s, umas mais importante que outras, mas todas são necesárias.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Estes dois últimos meses têm sido intensos em todos os sentidos. Intensos em crescimento interior pois sinto que fechei um ciclo, intensos a nível profissional pois foram uma reviravolta de 360º mas principalmente intenso a nível afectivo. Encontrei a minha outra asa e finalmente posso voar, encontrei estabilidade, segurança, certezas. A felicidade que trago estampada no rosto, a confiança que sinto em mim, a alegria constante e contagiante são fruto de ter comigo alguém com um coração do tamanho do mundo, alguém com quem sabe bem estar, partilhar, crescer, aprender, ensinar, em suma, alguém com quem quero viver para sempre.
Estou nas nuvens e se tudo isto for um sonho não quero acordar nunca mais.
O meu baú tem de tudo um pouco, coisa que levo comigo onde quer que vá, penso mesmo que levarei comigo para o resto dos meus dias. Situações que me tocaram, sorrisos que me alegraram, colos que me confortaram, pessoas que passaram mais rápida ou mais lentamente, amizades inesquecíveis. Marcas, tatuagens invisíveis, algumas bem profundas, outras à flor da pele. Trago comigo pessoas que me amaram, pessoas que amei, amizades inesperadas, desilusões, alegrias, mágoas, tristezas, pessoas que perdi, pessoas que achei. Musicas, filmes, livros, cartas, frases, fotos, imagens, palavras, gargalhadas, gritos, sentimentos, decepções, sonhos, pesadelos, instantes, olhares, vitórias, fracassos, cheiros, cores, beijos, abraços. Por vezes sinto necessidade de voltar lá atrás, reviver momentos, reavaliar as situações, reparar, realçar ou remover as minha tatuagens baseando-me no que sou hoje, no que sei hoje, como sinto hoje. Assim como todos os dias há pontos a acrescentar ou novas tatuagens a fazer, neste momento estou a remover algumas e a fazer outras bem grandes, bem profundas, acho mesmo que as novas estão a ser feitas na minha alma, estou a juntar todas as minhas tatuagens de felicidade e realização numa única que simboliza a esperança de um rumo novo mas conciliador, seguro e para sempre.
Eu sou os livros que leio, os lugares que conheço, as pessoas que amo. Eu sou as orações que faço, as cartas que recebo, os sonhos que tenho. Eu sou as decepções pelas quais passei, as pessoas que perdi, as dificuldades que superei. Eu sou as coisas que descobri, as lições que aprendi, os amigos que encontrei. Eu sou os pedaços de mim que levaram, os pedaços de alguns que ficaram, as memórias que trago. Eu sou as cores que gosto, os perfumes que uso, as músicas que ouço. Eu sou os beijos que dei, sou aquilo que deixei e aquilo que escolhi. Eu sou cada sorriso que abri, cada lágrima que caiu, cada vez que menti. Eu sou cada um dos meus erros, cada perdão que soube ou não dar, cada palavra que calei. Eu sou cada conquista alcançada, cada emoção controlada, cada laço que criei. Eu sou cada promessa cumprida, cada calúnia sofrida, cada indiferença que se formou. Eu sou o braço que poucas vezes torceu, a mão que muitas outras se estendeu, a boca que não se calou. Eu sou as lembranças que tenho, os objectivos que traço, as mudanças que sofrerei. Eu sou a infância que tive, sou a fé que carrego e o destino que reinventei.
Ao reler algo que escrevi há 4 meses atrás, quando ainda não me mostrava a escrever, tive vontade de acrescentar estes últimos quatro meses ao meu balanço de seis meses que tinha feito.
Assim sendo, reescrevo aqui o meu balanço:
"
Estou em mais uma noite em que o sono teima em não vir, entre as minhas 4 paredes, em frente a um ecrã que foi outrora meu confidente e dou por mim a fazer um balanço dos últimos 6 meses, é verdade, foi apenas há 6 meses, 6 meses que parecem anos.
Mais uma vez chego á conclusão que quando sigo o caminho para mim traçado, as coisas acontecem como que por magia.
Bastou eu parar, sair da minha rotina agitada (por mim criada para não me dar tempo suficiente para pensar muito no que sentia ou não sentia) para pensar e decidir que finalmente estava preparada para lidar com os sentimentos que poderiam advir do facto de me permitir perceber realmente o que sentia e por quem.
Foi um processo, acho mesmo que durante toda a minha vida fui aprendendo com todas as pessoas e situações que cruzaram o meu caminho, todas elas tiveram um contributo para a pessoa que sou hoje, com os meus defeitos e qualidades como qualquer outra. Também em relação aos meus sentimentos, fui aprendendo a aceitar-me como sou e várias situações contribuíram para isso, no momento em que me apercebi ser possível eu querer crescer como pessoa e resolvi tomar esse crescimento consciente e provocado como objectivo de vida, comecei a minha caminhada consciente para a pessoa que sou hoje. Por vários motivos ao longo dessa caminhada, interrompi alternadamente os temas em que me empenhava para continuar esse crescimento, tempo acho que necessário para digerir o que tinha aprendido, tentando trazer para o meu quotidiano as novas maneiras de entender o que me rodeava, racional e sentimentalmente. A mais longa interrupção foi em relação a sentimentos, e penso mesmo que se não tivesse sido obrigada ficar encerrada entre estas 4 paredes, sem ter que fazer, neste momento ainda estaria na minha rotina agitada por mim criada.
Graças a um poder superior, parei, pensei, sofri, quase desisti, mas finalmente encontrei a paz comigo mesma nunca antes sentida. Finalmente assumi para mim mesma o que sinto e como sinto. Passei a ter um problema, embora já tivesse novamente na minha rotina agitada, desta vez já não criada por mim, mas sim porque ela estava criada e não podia simplesmente saltar fora, continuava encerrada entre as minhas quatro paredes em relação à minha identidade sexual.
Dediquei-me à pesquisa, depois à procura de conhecer pessoas que sentiam como eu, andei de fórum em fórum procurando locais onde me sentisse bem falar de mim, metódica a nível de pensamento como sou, decidi conhecer as pessoas por trás dos nicks mais ou menos sugestivos, li tudo o que escreveram, seleccionei, e depois ai sim, dei-me a conhecer bem defendida com a barreira que é um ecrã, pois só iria alguma vez conhecer pessoalmente as pessoas que realmente estivesse interessada em conhecer e manter uma relação de amizade que me proporcionasse a saída de dentro das minhas quatro paredes.
Encontrei um local, onde havia algumas pessoas interessantes com suficiente maturidade, onde me era possível falar sobre mim com algumas garantias que iria ser entendida."
HOJE ACRESCENTEI O QUE SE SEGUE:
Realmente esse local permitiu-me ser eu mesma, fez-me crescer, sair do meu casulo, partilhar-me.
Todo este percurso me levou a ter uma enorme vontade de sentir aquilo que me recusei sentir toda a minha vida, visto não conhecer de todo o sentimento achei senti-lo por uma pessoa que apareceu no meu caminho. Mais uma vez, alguem que apareceu na hora certa para eu perceber quem sou, para aceitar o meu verdadeiro valor, para fincar a minha maneira de sentir e reforçar as minhas defesas em relação à falta de caracter, à desonestidade e à deslealdade.
Agora entendo que todas as dores, todos os sofrimentos, todas as angustias, todas as pequenas ou grandes conquistas, todas as descobertas, todos os passos atrás, todos os grandes saltos fizeram de mim a pessoa que sou hoje, no exacto momento em que encontro alguém com quem posso ser tudo sem medos de juízos de valor ou criticas, com quem me sinto bem, realizada, com vontade de fazer planos. Alguém que me preenche, que me faz sentir viva, que me desperta emoções nunca antes experimentadas. Alguém que me aceita, que me reforça, que me entende, que me afaga. Alguém com quem quero estar, viver, partilhar, compartilhar. Alguém que realmente AMO, que admiro, que me fascina, que tem um coração lindo.
"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."
Sei o que quero e principalmente sei o que não quero, gosto de pensar, de me entender e entender os outros, assim cresço a cada dia. Tornei esse crescimento diário e constante no meu principal objectivo de vida. Hoje tenho a certeza que é a minha lenda pessoal que persigo com toda a perseverança.
La primera regla a transmitir a el niño es “te quiero: siempre estaré contigo e aunque as veces tena que te reñir e sancionar es exactamente porque te quiero".